Você já tentou colocar a linha no buraco da agulha? Que tal um cabo de aço na agulha? Que tal um cara com 1,84m e 110kg em um buraco de 50×50cm?
Estou com um problema telefônico aqui em casa, existe um curto em algum lugar interno da instalação que impede de fazer ou receber ligações, sempre da sinal de ocupado. Já tinha examinado toda a parte de baixo da casa a procura do curto e nada. Por eliminação, ele só poderia estar no forro da casa. O problema é que o único acesso ao forro é por uma “porta” de 50×50cm que está do lado de fora da casa, a uns 3m de altura.
Com base em toda minha habilidade, coordenação motora e sorte, adivinha como eu resolvi o problema? Isso mesmo, munido de uma escada e toda boa vontade eu resolvi subir no forro e procurar pelo tal curto que deveria estar localizado por lá.
Subir foi relativamente fácil, entrar pelo buraco não exigiu maiores habilidades nem contorcionismos. Fiquei no forro super quente, examinei a fiação do telefone, refiz algumas emendas que estavam bem velhas e troquei grande parte dos cabos. Aproveitei para verificar mais algumas coisas e compensar a subida. Havia chegado a hora de sair.
Comecei tentando sair de ré, com a barriga para baixo, mas teria que tirar a minha cabeça e os ombros para sair dessa forma, ou fazer um giro de 180° com o corpo dentro do espaço confinado. Voltei para dentro do forro. Tentei sair de ré, com a barriga para cima, um dos pés do chinelo caiu e joguei a outra só de birra. Quando já tinha colocado a cintura para fora do buraco e um pé na escada, reparei que deveria soltar a única mão que me dava estabilidade para colocar o outro pé na escada. Parei para pensar por alguns minutos.
Os meus nada discretos vizinhos estavam falando baixo (no mundo bizarro deles, baixo = tom normal) e se perguntando o que eu estava fazendo ali no forro. Um deles falou que se eu demorasse a sair ele ia perguntar se estava tudo bem. Agora era questão de honra, eu ia sair de qualquer forma, mesmo que caindo. Lembrei que quando fiz um curso de trabalho em espaços confinados, o instrutor disse que era sempre útil levar uma corda de 2m com você. Agora eu entendi o porquê, mas infelizmente eu não tinha nenhuma corda por perto naquela hora e naquele lugar.
Cheguei à conclusão que aquela era a melhor forma de tentar sair, coloquei o corpo para fora, apoiei o pé na escada e fui tentando me equilibrar naquela imitação barata e bizarra do Cirque du Soleil. Após inúmeras tentativas frustradas, finalmente consegui apoiar o segundo pé na escada, dando segurança para sair da minha masmorra provisória. Neste meio tempo as minhas cachorras já estavam latindo (rindo?) no corredor, a vizinha já tinha perguntado se estava tudo bem e eu estava suado, sujo e sem almoçar.
Só para completar, depois de um rápido banho fui testar a linha telefônica nos diversos pontos da casa e adivinhem só, tudo mudo como antes. O curto está nas paredes, eu continuo sem telefone , paguei vários micos e ainda vou ter que chamar algum profissional para fazer o serviço.
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A maldita porta do maldito forro.
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O palhaço bizarro do Cique du Soleil paraguaio. Essa foto é uma mera simulação (eu não estava sorrindo no dia).
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Reparem no diminuto tamanho da portinhola. Essa foto é uma mera simulação.
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Tentativa frustrada de simular como eu sai da masmorra. Por ganatia eu não simulei muito.
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